terça-feira, 11 de agosto de 2009

O búzio

Fecha só os olhos meu amor. E devagar
escuta os mesmos sons. A água
escorre para a sede quente:
areia de pés nus.

Encosta só o ouvido. Respira
esta harmonia deste corpo. Os mesmos sons
projectos do tamanho deste mar.

Suave esta espiral. Flauta de ruídos
para ouvir.
E não se parte o corpo. Só pelos sons
os mesmos sons. Tocata para um dia.

Escuta. Compara. Não vês a diferença
entre o cantar e o ser
de uma alegria?



Manuel Rui (poeta angolano)

sábado, 8 de agosto de 2009

Que grande ausência !...

A mudança de servidor só hoje me deixa voltar ao vosso convívio. Há coisas que parecem fáceis mas, não sei porquê, se tornam díficeis. Foi o que sucedeu com a alteração de servidor, televisão/telefone/internet, no meu domícilio citadino.
Realmente, nesta nossa curta passagem pelo planeta terra nada é fácil, ou quase nada.
No dia 30 de Julho o pai dos meus filhos teve a infelicidade de ser envolvido num acidente de automóvel, um carro que ultrapassou um outro que estava parado num stop foi colidir com o dele. Desta colisão resultou a morte da sua mulher com lesões internas, ele , graças a Deus , teve ferimentos ligeiros. Eu conhecia a Milú desde que éramos crianças, ela era vizinha de uma grande amiga minha. Eu ía muitas vezes estudar ou brincar para casa da minha amiga e colega e a Milú e sua irmã juntavam-se a nós. As voltas que a vida dá ... a Milú viria a ser, muito mais tarde, a outra "avó" dos meus netos.
A Mónica ficou comigo e com o "avô" Chico até que fossem de férias. Os pais deram-lhe a notícia da morte da "avó" Milú, ela chorou muito. No dia seguinte pergunto-me
- Não achas, avó, que a vida de uma criança, por vezes, é muito difícel? respondi-lhe que sim e comentei que a vida nem sempre é fácil, todos temos de estar preparados para os momentos difíceis que temos de enfrentar no caminho que percorremos desde que nascemos até nos transformarmos numa estrelinha, mais uma, que irá brilhar no céu. Ainda me disse - Muitas vezes digo a mim própria que a vida não é fácil. Abracei-a, dei-lhe muitos beijos e juntámos as nossas lágrimas. Apesar dos seus dez anitos é já uma menina crescida ...
Hoje, ouvi o comunicado da morte do Raúl Solnado e fiquei triste. Perdemos um grande actor, um gande humorista, um gande HOMEM. Desde oos meus 11 anos que ele me faz rir e tenho de agradecer-lhe por isso. A partir de hoje ele vai levar o seu humor a todos aqueles que já não estão no nosso convívio. E nós temos de atender ao seu pedido - "Façam o favôr de ser felizes". Até sempre Raul, espero rir-me muito mais com as suas piadas.
Desculpem, amigos , a extensão do meu post

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um neto com vinte anos

É verdade, o meu neto mais velho fez ontem vinte anos e ao contrário do que é normal ouvirmos eu não me sinto velha. Gosto de ser para os meus meninos e menina a amiga e companheira que se por um lado gosta de lhes satisfazer as vontades, por outro sabe dizer-lhes que não, se fôr necessário. Eles são, para mim, poços de meiguice, falam comigo sobre todos os assuntos, sinto-me jovem quando estamos juntos. Sou uma avó super feliz e adoro os meus netos. Eles dão-me força para viver.

domingo, 12 de julho de 2009

Notícias

Depois de uma longa ausência, aqui estou a dar-vos notícais. Felizmente, estou bem. Acontece que resolvi mudar de servidor de internet e cancelei o serviço que tinha acreditando que me instalariam o novo, como haviam prometido. Só depois de vários contactos com informações antagónicas e porque pedi para falar com a chefia do sector, consegui que na semana que entra me façam a instalação.
Aqui na casinha onde oiço os passarinhos, os patos, as rãs, as ovelhas e os cães ,tenho net e só depois que aqui cheguei tive hipótese de ver o meu correio- a caixa, transbordava - e saber notícias das amigas e amigos blogueiros. Não tive ainda tempo para fazer comentários pois tenho andado ocupada com umas arrumações. Desejo-vos um óptimo fim de semana. Façam o favor de ser felizes.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dia de fortes emoções

Ontem o meu dia foi de muitas e fortes emoções e, claro, de muitas lágrimas. Não, não foram lágrimas de tristeza mas de comoção e alegria. A minha neta frequentou durante sete anos´, entrou com 3 e vai sair com 10, um colégio. Ontem tiveram uma festa de fecho de ano, como sempre fizeram no fim de cada ano letivo. Ontem a festa foi muito especial, a Mónica e os coleguinhas eram finalistas. A minha filha com a ajuda de outras mães fez dois lindos trabalhos para oferecer às professoras da classe infantil e da primária. O Rui fez um discurso lindissimo, representando todos os pais. A Mónica estava linda no seu papel de apresentadora Bárbara Come-pães, que representou sem falhas. Confeccionei um "vestido preto, cai-cai e com brilhos" como ela me pedíu. Ela estava tão bonita, de olhos pintados e com um baton muito clarinho, parecia uma menina mais crescida. Tão doce e querida ... a minha neta !...
A outra emoção foi a chegada, vindo de Moçambique, do meu neto mais velho. Está um homem o meu menino ... e tão bonito !...
De felicidade, de alegria, também se chora ... e se eu chorei...!
Foi um dia lindo que culminou com um jantar em família.
Que o Senhor abençoe os meus filhos e os meus netos e me ajude a estar com eles mais alguns anos é a minha oração diária.
Tinha que repartir com os meus amigos e amigas virtuais esta toda esta felicidade. Beijos para todos
Idaldina

domingo, 21 de junho de 2009

Ida a FÁTIMA

Li no blog Brilho dos Anjos que hoje o Movimento Rosa Esperança - mulheres com cancro de mama - se reuniria em Fátima para assistir à missa das 11h00.
Eu tinha feito uma promessa, ir a Fátima depois de acabar os meus tratamentos. Convidei uma amiga, que também está perto do local onde me encontro a passar uns dias, e às 08h15 lá fomos. Uma hora depois chegávamos ao parque de estacionamento junto ao Santuário.O calor já começava a apertar. Procurámos uma sombra e sentámo-nos. Na capelinha das aparições começou a rezar-se o terço, nós acompanhámos.
Vimos aproximarem-se do local onde estávamos várias mulheres, de diversas idades, vestidas de branco e rosa - cores do movimento. Nós, também de branco e rosa, caminhámos atrás delas e juntas participámos da missa.
Esta missa, perto destas mulheres que, pelo seu aspecto, passaram ou estão passando o mesmo que eu, criou-me uma alma nova. Lágrimas saltaram-me dos olhos, um mixto de tristeza e alegria. Tristeza porque sabia que todas ali foramos para pedir o mesmo, cura para nós e para todas as que sofrem deste mal. Alegria porque para ali estarmos já tínhamos ultrapassado todos ou quase todos os tratamentos a que nos sujeitam.
A minha amiga, felizmente, não foi atacada pela doença mas o cancro levou-lhe o marido há ano e meio.
No grupo também se encontravam maridos e filhos das mulheres do Rosa Esperança. A família é uma ajuda sem limites para quem sofre desta doença.
A todas as "minhas colegas", como lhes chamo, eu desejo um triunfo absoluto mas, não esqueçam, a nossa força e coragem são essesnciais para vencermos o maldito "animal".
Nossa Senhora de Fátima vos proteja e vos dê tudo o que quero para mim.
Para todas muitos beijos e muitas rosas, brancas e cor de rosa.
Idaldina

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sátira aos homens com gripe

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.


De: António Lobo Antunes

Gostava de saber a vossa opinião, será que o escritor exagerou?