... 29 de Junho de 2007 às 15h30, tinha marcação num consultório de radiologia para fazer a mamografia e ecografia mamária que, anualmente desde os 39 anos, realizava.
Depois dos exames a radiologista mostra-me uma mancha minuscula na mama direita e diz-me que aquela calcificação era duvidosa e que eu deveria ir fazer uma biópsia.
Não sei se o que senti foi medo ou preocupação mas no meio do peito ficou um nó.
Logo que tive os exames em meu poder fui mostrá-los a um moço, por quem tenho um carinho muito especial - ele chama-me de mãe adoptiva -, que é neurologista. Aconselhou-me a contactar, de imediato, um cirurgião amigo. Assim fiz, o Dr. D. foi de opinião que em vez de fazer a biópsia seria de retirar a calcificação e mandar analisar. Dia 27 de Julho foi-me retirado o tumor e 3 dias passados regressei a casa.
A análise , em príncipio, viria daí a 3 ou 4 semanas, mas nos meses de verão poderia levar mais tempo a ter o resultado.
Tínhamos, eu e meu marido, minha filha e marido e meus netos quartos marcados num hotel do Algarve para passar uns dias de férias. Exatamente no dia em que regressávamos estávamos à borda da piscina quando oiço a voz do Ivan Lins " Quando ela passa por mim Rio de Janeiro de mais, mesmo que estivesse em Berlim eu veria logo os sinais ", era o meu celular que tocava.
Atendi, do outro lado a voz simpática do meu cirurgião a comunicar-me que no dia seguinte teria de voltar ao hospital para me esvaziarem os ganglios linfáticos pois na análise ao tumor apareceram células malignas.
Foi impossível esconder da minha família mas não perdi a força embora o tal nó permanecesse exactamente no mesmo local desde o dia 29 de Junho. Eu não podia fraquejar e muito menos deixar que eles ficassem mais preocupados do que já estavam.
Dia 4 de Setembro fui internada, conversei com o pessoal de enfermagem e com outras doentes a quem dei um pouco de coragem e que ainda fiz rir com as parvoíces que disse.
Fazer o quê? Eu estava bem, tinha que animar quem se sentia mal.
No dia seguinte levaram-me para o bloco. Antes tinha tomado um comprimido que quase me pôs a dormir. Na primeira cirurgia consegui contar uma anedota à anestesista e técnicas do bloco, quando "apaguei" estava a rir.
No dia seguinte vim para casa aguardar que passassem mais 3 semanas ao fim das quais houve o resultado da análise. Por um dos ganglios haviam passado células malignas.
Seguiu-se a quimioterapia, os enjôos, as aftas e o que seria mais visível, a queda do cabelo. Eu estava avisada pela médica oncologista que do 2º para o 3º tratamento os cabelos começariam a abandonar o seu posto. Nas duas semanas a seguir à 1ª dose de quimio a escova começou a trazer os fios que no seu conjunto embelezam qualquer rosto. Foi fácil chegar ao salão de cabeleireiro e pedir que me rapassem a cabeça.
Foi fácil, mas havia uma enorme preocupação. Como aceitaria a Mónica o meu novo look? Ela que já andava tão preocupada com as minhas operações!?
O meu marido tirou-me uma foto com o telemóvel e enviou para a minha filha. Logo recebi uma mensagem - Vó, pareces uma cantora! Foi um alívio.
Atrás da químio veio a radioterapia e desde Junho a imunoterapia, que vai durar até Maio.
Já devem estar aborrecidos, hoje alonguei-me, mas tenho de lhes dizer que choro a ler certos livros, choro no cinema, choro a ver noticiarios, mas.... ainda não chorei uma lágrima pela doença que me atingiu. Acham que um cancro merece que eu gaste lágrimas por ele? Não lhe dou esse prazer!
Com a força que recebo da minha família , dos meus amigos e com a ajuda de Deus eu vou superar esta fase menos boa da minha vida!
Peço a todas as mulheres que lerem este post: - Não deixem de fazer o rastreio, não se descuidem.
Aos homens que tiveram a paciência de chegar até aqui:- Avisem as vossas mulheres, as vossas mães, as vossas filhas, as vossas amigas.
É preciso lutar contra este mal, o cancro não pode vencer-nos!
Façam o favor de ser felizes!
Idaldina
P.S. - O nó contínua exactamente no mesmo lugar, penso que arranjei um companheiro para a vida!