No dia 2 fui fazer mais um tratamento de imunoterapia ao Hospital dos Capuchos. Estava sentada num cadeirão, uma agulha espetada na mão com tres tubos ligados a ela e ao mesmo número de sacos, pendurados num suporte, que contêm liquidos que escorrem durante duas horas para a minha veia.
A uma dada altura, olhei para o fundo da sala, onde há uma passagem para uma casa de banho. Uma rapariga apoiada a um rapaz, também novíssimo, quase não cnseguia levantar os pés do chão. Era de estatura baixa, paracia uma criança. Tinha a cabelo muito curto, sinal de que já tinha suportado tratamentos de quimioterapia. Fiquei impressionada pois me paraeceu muito jovem. Tinha vestido um robe e nos pés sapatinhos de lã. Presumi que estaria internada e viera ali para fazer tratamento.
No dia quatro, fui a uma consulta com a minha médica de oncologia. Quando cheguei à sala de espera, foi-me dito que a doutora estava nas urgência nas salas de tratamentos a substituir uma colega. Poderiam os doentes marcar, para o dia seguinte, nova consulta ou serem atendidos no hospital de dia de quimioterapia.
Aceitei que ela me consultasse nesse dia pois tinha exames vários e análises para lhe mostrar. Quando, quem sofre de cancro, faz exames e análises, quer saber os resultados logo que possível, pois a vontade que lhe digam que está tudo bem é enorme.
Quando esperava pela médica, que atendia um paciente na Sala de Observação, chegam dois bombeiros que transportavam uma maca vazia. Da sala de observação, que comporta vários doentes, saíu um rapaz que disse a uma enfermeira:- A minha irmã já acabou o tratamento e a Doutoura já lhe deu alta. Ela diz que tem fome. A enfermeira chamou uma auxiliar que de imedito foi saber o que a doente queria comer. Passados uns minutos lá entrava, novamente, a auxiliar, com um tabuleiro onde se viam um copo de leite e um prato com um pãozinho.
Passado um bocado, saía da sala a mesma mocinha que eu vira no dia do meu tratamento.
A enfermeira ajudou-a a subir para a maca. Deu-lhe vários beijos e chamou-a pelo nome. Deitada na maca lá seguiu a A. para casa. Quando passou por mim fiz-lhe o melhor dos meus sorrisos que ela retribuiu.
A A. não sabe, mas , desde essa noite, não a esqueço nas minhas orações.
Quando a médica me comunicou que os meus exames e análises estavam perfeitos, fiz-lhe o mesmo sorriso, que aquela moça tão nova, já vira nos meus lábios.